Entrevista – Paula Spranger

O blogue Maçãs d’Amor, existe desde 2007 e quem o criou foi a Paula, uma mulher cheia de vontade de aprender sempre mais, e atenta aos detalhes. Eu tive o prazer de entrar no seu pequeno mundo, e assim conhecer e dar-vos a conhecer um pouco mais sobre ela e o seu percurso até aqui. No blogue, ela fala de costuras, malhas, e tudo aquilo que a move. 

Paula

 

Vendo o teu blogue, e pela tua antiga loja física dá para perceber o bom gosto aplicado em cada detalhe. Esse bom gosto nasceu contigo ou já vem de trás?

Eu acho que vem muito de trás. Cresci num mundo cheio de coisas feitas à mão. Vem de bastante atrás, até onde eu conheço, do lado da minha mãe toda a gente sempre fez tudo. A minha mãe é da Madeira e os meus avós também eram de lá, e a minha avó sabia bordar tudo e mais alguma coisa; rendas, lençóis, tudo. E apesar de dar explicações o dia todo, passava os serões a trabalhar, ela dizia que não sabia ter as mãos quietas. Curiosamente eu não aprendi nada com elas. Sempre que tentaram ensinar-me, foi um desastre, não tinha paciência. O crochet não me atraía nada, o tricot também não gostava. Hoje penso que, talvez porque as agulhas não eram as mais correctas para mim, ou os fios. Quando comecei a conhecer outros tipos de lã apaixonei-me e quis aprender e acabei por aprender a tricotar a ver vídeos no Youtube e ao princípio não percebia nada porque são quase todos vídeos em inglês e elas fazem tricot ao contrário. E eu não percebia por onde é que as agulhas entravam, mas pronto, lá me fui “desenrascando”, depois saiu aquele livro da Rosa Pomar das lãs*, que para mim foi óptimo, tem uns esquemas perfeitinhos, onde dava para ver bem e agora já sou mais desembaraçada. Já as costuras, eu sempre adorei. Havia uma máquina de costura em minha casa, uma Singer antiga, daquelas de pedal que eu tenho agora na minha sala, e eu quis aprender a mexer nela e aprendi. Ainda hoje, quando uso uma destas eléctricas, sei sempre qual é o mecanismo, eu acho piada porque conheço da manual. Nós demos muitos workshops de costura na loja, e as pessoas não têm gestos automáticos como puxar a roda sempre para nós, ou coisas mais instintivas que ficam da máquina manual.

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Qual é a coisa, ou quais são as coisas que mais gostas de costurar?

É roupa. Mas ultimamente não tenho feito muita coisa, tenho imensos planos mas depois não chego a ter tempo para pôr em práctica ou então faço coisas mais simples como t-shirts. Mas tenho moldes que estão em lista de espera de coisas que quero fazer. Para começar, tenho o problema do espaço. Para poder cortar tenho de limpar a mesa e eu preciso de tempo para me dedicar. Mas é roupa o que mais me interessa. No entanto eu comecei por fazer colchas há uns anos. O meu marido é biólogo marinho e há uns anos fui a Angola ter com ele, a minha filha era pequenina, tinha quatro anos, e quando vi os mercados de tecidos por lá fiquei doida, apetecia-me trazer tudo. Nunca tinha visto nada assim, eram em dunas de areia, colocavam os panos abertos, montes de cores e aquilo para mim, foram logo colchas, assim que vi achei que tinha que fazer colchas. Quando vim, acho que foi em 2003 ou 2004, peguei na máquina de costura e comecei novamente a utilizá-la fazendo essas colchas enormes. Mais tarde, uma amiga da minha mãe que teve uma loja de artesanato no Fundão viu, e disse-me que gostava de ter lá algumas para vender. Foi ai que começou isto tudo. Aí comecei o blogue, tive uma loja online, onde fazia mais malas, e depois abri uma loja com intenção de ter coisas feitas por mim à venda mas não consegui, porque era muita coisa e comecei a ter coisas de decoração e prendas e era tudo. Toda a logística da loja acabou por me apagar completamente esses anos e agora voltou, porque há sempre um bichinho que está lá.

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A loja online como existe hoje, a Maçãs d’Amor,  nasceu a partir dessa altura?

A loja online tem aparecido e desaparecido, e agora desde que fechei a loja física, dediquei-me mais a esta vertente online, e é giro porque tem funcionado, cada vez corre melhor e às vezes eu nem percebo bem como, parece que vai passando de pessoa em pessoa.

Sinto que as pessoas têm procurado mais fazer para elas e para os filhos. E que é uma costura mais moderna. Notas isso?

Sim, há mais gente à procura, mas há muito pouca gente a fazer roupa, as pessoas fazem mais outras coisas, eu já nem consigo ver porta-moedas e agendas… toda a gente faz esse tipo de coisas. Noto que vendo muito peças de meio metro que são para vestidos para crianças. Agora existe esse tipo de mercado, e mais com as malhas mais mimosas para bebés e tudo. Agora encontra-se também, muita informação, porque quando eu comecei a coser, lembro-me que não havia nada, se eu via um livro, ficava doida de alegria porque podia aprender. E agora há montes de informação e revistas.

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Começaste a coser mais a sério há quanto tempo?

Assim a fazer roupa? Acho que desde 2012. O meu filho nasceu em 2011 e com ele pequenino fiz-lhe algumas coisas, mas acho que foi desde 2012 que renasceu esta paixão e comecei a ter tecidos na loja, porque não conseguia encontrar para mim aqui em Faro, tinha muita dificuldade em encontrar tecidos engraçados, ou coisas diferentes e então pensei que podia tê-los à venda. E foi giro, algumas pessoas de facto compravam e sentiam o mesmo que eu, mas Faro é pequenino, apesar de tudo.

Sentes que encontraste o teu caminho agora ou ainda há espaço para surpresas no futuro?

Eu tenho muitos interesses… Não, ainda não. É sempre incerto, eu sou curiosa demais e gosto de aprender e não sei o que é que me vai interessar amanhã. Irrita-me um bocado estar quieta ou conformar-me com uma coisa e fazer isso para sempre, é um bocado assustador, parece-me. Prefiro pensar que ainda há muito aí por descobrir.

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E finalmente algumas perguntas técnicas no jeito de termina a frase.

Aprendi a costurar com… com a minha mãe, com a minha avó e sozinha.

A minha máquina de costura é uma… Pffaf Ambition 1.0, mas durante muitos anos foi uma Singer. E a mais recente é uma corte e cose Brother.

As ferramentas sem as quais não passo são… uma boa tesoura, sou muito esquisita com as tesouras, se me magoam a mão ou assim meto-as logo de parte. Tenho três tesouras que uso muito para funções diferentes. Tive que arranjar uma fita métrica em polegadas para não estar sempre a fazer a conversão. Um ferro de engomar, descobri que é importante e faz diferença.

Gosto de costurar para… para mim principalmente. Para os miúdos é giro, mas a verdade é que eles não ligam assim tanto. Ele destrói a roupa toda e ela, dá imenso trabalho porque já é maior do que eu.

Costumo costurar (manhã, tarde, noite, etc)… De manhã e à noite, quando tenho tempo livre.

Costumo costurar na/no (sala, varanda, cozinha, etc)… no quarto da costura, mas muitas vezes levo as máquinas para a sala para estar perto dos miúdos e assim estamos todos juntos.

O meu sonho é um dia, costurar uma/um… neste momento gostava de fazer um fato de banho e preparar um guarda roupa de verão.

Para conheceres melhor a Paula e o que faz, visita-a aqui:

http://www.macasdamor.blogspot.com

https://www.facebook.com/macasdamor

https://macasdamor.com (loja)

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