Planear um guarda roupa de senhora I

Quando começamos a costurar, é normal passarmos várias horas a sonhar acordadas a pensar naquilo que gostaríamos de acrescentar ao nosso guarda roupa feito pelas nossas próprias mãos (com a ajuda da máquina, claro). Também é bastante comum começarmos a entrar nas lojas e ver algumas peças às quais dizemos baixinho “hmm, eu talvez fosse capaz de fazer uma coisa assim”.

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Numa primeira fase, em que ainda não estamos familiarizadas com técnicas de acabamento profissional ou, digamos, ainda não as dominamos com alguma mestria, podemos começar com peças mais simples, como este top lindo que a Maria João fez (e não percam a série de artigos que ela vai apresentar com muitas informações detalhadas sobre vários moldes de senhora!).

Nada contra peças simples, aliás todas as temos com certeza nos nossos roupeiros e os básicos fazem falta e fazem parte de um guarda roupa estruturado. E mais, mesmo que não fique perfeita e que dali a uns anos olhemos para ela e pensemos “gaahh estas costuras”, vamos passeá-la com um orgulho de fazer parar o trânsito.

Uma boa maneira de começar é avaliar o que já temos e o que nos faz falta. Há espaço para peças feitas à mão e compradas porque, convenhamos, somos mulheres eu sei, e só comprar sapatos pode tornar-se aborrecido (ou talvez não…).

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A meu ver, o mais importante é estarmos confortáveis com o nosso corpo e percebermos o que nos fica bem, o que não é tarefa fácil. A partir do momento em que começamos a costurar para nós, tornamo-nos autênticas críticas sobre o assentar da peça no nosso corpo e todos os vincos e dobras são alvo de inspecção pormenorizada.

As manobras de correcção de moldes exigem sempre uma peça de prova num tecido mais barato mas, de preferência, com um cair semelhante ao tecido final. Pano de lençol serve lindamente, que é como quem diz, um lençol velho.

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Dependendo da estação, torna-se mais fácil e rápido construir o guarda roupa; o Inverno e as mangas compridas, as fazendas e a demorada construção de casacos prevêem que este comece a ser planeado ainda no ano anterior; já o Verão se reveste de peças leves, tecidos fluidos e execução mais simples (mas podemos sempre complicar se quisermos).

Começo então com propostas para a Primavera / Verão e para vários níveis: se ainda não há confiança para avançar com uma carcela ou um fecho invisível basta trocar essa peça por outra já existente no roupeiro ou tentar adaptar uma técnica mais simples. O bom da costura é este poder de inovação, há inúmeras maneiras de fazer a mesma coisa e, apesar de algumas poderem ser tecnicamente mais correctas, não há críticas sobre nós: cada uma vai fazendo como sabe e aprendendo cada vez mais.

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Os moldes em pdf são acessíveis e com instruções detalhadas que permitem, consoante o nível (e a coragem de cada uma), obter peças que nos deixam de sorriso rasgado, tal não é a proeza de transformar um bocado de tecido em algo lindo para vestir.

As ideias que aqui partilho são úteis também para quem (ainda) não costura, numa perspectiva de diminuir o consumo e gerir o que já temos. A sustentabilidade cruza-se com este tema a partir do momento em que conseguimos avaliar o que temos e o que efectivamente precisamos. E, acreditem, comprar menos torna-nos capazes de dar mais valor às pequenas coisas da vida.

Vamos então às sugestões: neste artigo vou apenas focar-me nas partes de cima, e em moldes onde não devem existir problemas maiores de ajustes a resolver, mesmo para os avançados.

 

Tops / Blusas

São as peças que queremos logo começar a fazer e fáceis de combinar com as partes de baixo que já possuímos no roupeiro. Podemos optar por padrões de tecido mais ousados ou lisos básicos consoante a necessidade e o que já temos. O ideal será ter estas peças em dobro do número de partes de baixo que temos e, pelo menos, metade delas básicas, o que não quer dizer aborrecidas e sem graça.

Nível iniciante:

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Blusa Marthe (République du Chiffon), em malha, com mangas raglan e franzido abaixo da cintura.

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Camisola Linden (Grainline Studio), em malha, mas que também pode ser cosida numa máquina de costura normal (muitas dicas aqui)

 

Nível intermédio:

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Alice top (Tessuti Patterns) com mangas de aba e plastrão forrado.

 

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Túnica Valley Blouse (Califaye Collection) com plastrão forrado, mangas embebidas e punhos simples.

 

Nível avançado:

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Cheyenne Tunic (Hey June Patterns) com meia carcela, gola tunisina, mangas embebidas, punhos e presilhas.

São tantas as peças que aqui podia acrescentar! As revistas Burda e os livros japoneses, para quem já sabe algumas técnicas, são igualmente uma fantástica fonte de inspiração, difícil é escolher e ter tempo para fazer tudo o que pretendemos.

Na continuação deste artigo, irei falar de vestidos e saias, peças simples de vestir e com técnicas muito acessíveis. Só nos falta chamar o Verão para as poder passear: até lá, Cose Mais!

 

 

 

 

3 thoughts on “Planear um guarda roupa de senhora I

    • Olá Carla! Fazemo-lo por algumas razões bastante válidas: os moldes pagos foram testados antes de serem postos à venda, ou seja, a designer faz um teste a todos os tamanhos do molde para ver se está bom ou se ainda precisa de alterações. Além disso, as instruções que acompanham o molde são lições de costura, todos os passos estão descritos e permitem obter uma peça verdadeiramente profissional, aprende-se muito. Isto não acontece com um molde grátis ou, pelo menos, com a maioria dos moldes grátis que existem. Comprar um molde é mesmo uma mais valia a longo prazo. E atenção que os moldes aqui apresentados não são nenhum tipo de parceria nem patrocínio com a Cose Mais, recomendamos mesmo porque são realmente bons, porque já comprámos ou testámos e conhecemos o trabalho das designers.

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