Planear um Guarda-Roupa de Criança – Parte 2

Esta é a segunda publicação da série dedicada a Planear um Guarda-Roupa de Criança.

Depois de identificarmos o que faz falta no guarda-roupa das nossas crianças (Planear um Guarda-Roupa de Criança – Parte 1), torna-se mais fácil decidir o que comprar e o que costurar, sem ceder à tentação de fazer ou comprar peças que depois correm o risco de não serem usadas.

  • Decidir o que costurar vs. o que comprar

Por norma e com base nas necessidades identificadas, assumo como sendo necessária roupa suficiente para permitir combinações diferentes para cerca de duas semanas, incluindo actividades desportivas, roupa de dormir e interior, agasalhos e um conjunto mais “composto”. Este número permite gerir a logística (lavar/secar/engomar) com alguma folga e pode ser adaptado consoante as circunstâncias.

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Com base nesta premissa, defino um número suficiente de “partes de baixo” – calças, saias e calções, que poderão ser facilmente conjugadas com “partes de cima” – blusas, camisolas, tops, normalmente em maior número, e determino o que será comprado e o que irei fazer. Os vestidos, no caso das meninas, e os macacões/jardineiras, se usados com blusas, são “contabilizados” como “partes de baixo”.

Apesar de actualmente já me sentir confiante o suficiente para costurar quase todas as peças do guarda-roupa da minha filha, existem sempre algumas peças – seja porque não consigo fazer tudo e alguma coisa tem de ficar de fora; seja porque não compensa costurar (custo e tempo despendido) ou ainda porque não podem mesmo ser feitas por mim (por exemplo, o equipamento desportivo que obedece a regulamento da própria escola), que continuam a ser compradas.

As minhas excepções são:

  • Roupa interior incluindo meias e collants, roupa de desporto (uniforme da escola), camisolas e casacos de lã (aprender a tricotar está nos meus planos). E claro, sapatos!

Ocasionalmente, também compramos camisolas de golas bordadas, calças de ganga e fatos de banho. Apesar destas peças poderem ser costuradas, a variedade de opções e preços da oferta disponível nas lojas nem sempre compensa o tempo despendido e o custo dos materiais para a sua confecção.

Obviamente, cada pessoa fará as suas opções. Não considero que exista uma regra fixa.

Afinal, se encontrar um casaco de inverno por um bom preço, certamente que essa será uma peça que provavelmente já não irei costurar, apesar de estar no meu plano inicial. Por outro lado, assumo a minha debilidade no que toca a vestidos – acho sempre que mais um (ou dois) nunca são demais …

  • Seleccionar cores, tecidos e moldes 

Adoro tecidos e todo o tipo de aviamentos e as opções disponíveis no mercado são inúmeras, o que dificulta imenso a escolha! Tenho preferência por fibras naturais (algodões, linho, lãs) e padrões intemporais, embora de quando em vez, não resista a um padrão que eu sei que as crianças cá de casa vão adorar.

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Para optimizar ainda mais o guarda-roupa das nossas crianças, é recomendável escolher cores e padrões que potenciem as combinações entre si. Para rapariga, com algumas excepções, uso tecidos lisos para as partes de baixo, e reservo os estampados para as partes de cima e os vestidos.

Provavelmente a diversidade não será muita, mas permite ter peças que combinam bem umas com as outras e elas conseguem escolher sozinhas a roupa que querem vestir (o que é óptimo para aquelas manhãs em que o tempo escasseia).

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Para rapazes, a oferta de tecidos poderá ser mais limitada, mas actualmente já se encontram opções bem giras, que vão muito para lá das tradicionais riscas e xadrez. É cada vez mais fácil encontrar malhas coloridas e tecidos com estampados divertidos.

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Principalmente no verão, é possível seleccionar tecidos estampados para calções que depois são combinados com pólos lisos (comprados ou não). Resultado: um guarda-roupa de rapaz muito divertido (e mesmo ao gosto do seu “dono”) e cheio de opções!

Para além das lojas e feiras tradicionais onde se podem encontrar sempre boas opções e muita variedade, as lojas online permitem-nos aceder a materiais e estampados originais e de boa qualidade (algumas sugestões: MaçasdeAmor, Nosh, Ratucos, Retrosaria, Stragier, Sweetmercerie e Traetela).

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Tal como no caso dos tecidos, também no que concerne aos moldes, já existem muitas e boas opções – revistas especializadas, moldes em papel, moldes em pdf, livros de moldes, que acredito que o mais complicado seja mesmo escolher.

Por norma opto por modelos mais clássicos que declino em várias versões conforme o tipo de tecido usado e os aviamentos escolhidos. Pessoalmente, não me importo de repetir o mesmo modelo, principalmente se o mesmo assenta bem, mas quem costura sabe como é tentador experimentar novos moldes (e aprender novas técnicas). Assim, quando planifico o guarda-roupa dos meus filhos e apesar de dar prioridade a moldes que já experimentei (ou para os quais tenho boas recomendações), adiciono sempre 2/3 novos moldes.

Actualmente, a maioria dos moldes que compro encontra-se em versão pdf, principalmente pela facilidade de utilização e custos mais reduzidos, mas algumas marcas disponibilizam moldes individuais em versão papel e sempre que possível adiciono alguns à minha colecção.

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Não me vou alongar muito sobre os moldes, nem sequer indicar os meus preferidos (são tantos e certamente iria deixar algum de fora!), porque este é um tema que será amplamente abordado no +Costura.

Para quem começa a dar os primeiros passos na costura, os moldes com instruções passo-a-passo são fundamentais para ganhar confiança e não desistir. A maioria dos moldes costuma indicar o nível de dificuldade, o que facilita a selecção dos mesmos. Para quem se está a iniciar na costura para crianças, este molde gratuito pode ser uma boa opção.

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Em Portugal, já é possível encontrar revistas com moldes nas bancas de revistas com instruções detalhadas e modelos muito actuais. A incontornável Burda, em edição portuguesa e tiragem mensal, inclui quase sempre modelos infantis e, ocasionalmente, instruções ilustradas passo-a-passo (quase sempre de peças para senhora).

Também a Ottobre já possui distribuição no nosso país (versão em espanhol) e para quem gosta de moldes com design moderno é mesmo imprescindível. Esta revista, com 4 edições anuais para criança, inclui sempre peças para rapazes e raparigas (dos 62 até aos 170 cm de altura), incluindo peças clássicas, como casacos, camisas, blazers, vestidos e calças e outras mais modernas como blusões, pólos e t-shirts, coletes e camisolas.

Sempre que possível, recorro aos desenhos técnicos apresentados nos moldes. Ajudam a visualizar melhor o modelo e alguns detalhes que nem sempre são perceptíveis por exemplo, nas fotografias que acompanham a revista ou o molde individual.

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Cá em casa, a selecção dos moldes é normalmente feita em conjunto – mãe e filho/a. Eles adoram dar a sua opinião e, na maioria das vezes, sigo os seus pedidos.

Apesar de nem sempre o conseguirmos fazer – falta-nos tempo e por vezes não resistimos à compra por impulso, aconselho vivamente a i) pesquisarem as várias opções antes de comprarem moldes e tecidos – lojas tradicionais, feiras, lojas online, eBay e mesmo vendas de restos de stock de lojas, ii) comparar preços, incluindo portes de envio, no caso das compras online, e eventualmente taxas alfandegárias e iii) estabelecer e tentar cumprir um orçamento.

Outra sugestão que pode ser útil é comprar tecidos nos saldos de final de estação. Por exemplo, comprar flanela de lã no final do inverno já a pensar nos casacos que serão feitos no ano seguinte ou lycra para os fatos de banho do próximo verão.

Com frequência, adio a compra de determinado molde até estar em promoção – normalmente as marcas fazem descontos no lançamento de novos moldes ou antes do lançamento de uma nova colecção.

Subscrever as newsletters das lojas online também costuma ser uma boa ideia, já que em alguns casos é possível obter vantagens exclusivas para subscritores e/ou clientes.

Depois de seleccionados os moldes e tecidos, na 3.ª e última publicação desta série, podemos, finalmente, começar a costurar …

Espero que tenham gostado e não se esqueçam de partilhar também as vossas sugestões.

8 thoughts on “Planear um Guarda-Roupa de Criança – Parte 2

    • Olá Isabel, Eu costumo ver a revista Ottobre na tabacaria do Continente de Telheiras e também na papelaria do piso 0 do Centro Comercial Colombo, mas caso não encontre pode contactar directamente o distribuidor em Portugal (ottobre.portugal@gmail.com) ou ver na página do Facebook: OTTOBRE moldes, corte & costura Portugal.
      Espero ter ajudado. Boas costuras!

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