Planear um Guarda-Roupa de Criança – Parte 1

Esta é a primeira publicação de uma série de 3, dedicados a planear um guarda-roupa de criança. Espero que gostem.

Um dos meus objectivos, quando a minha filha mais nova nasceu, era costurar a maioria das suas roupas. Os motivos eram vários, mas poupar dinheiro e poder escolher exactamente os materiais e o tipo de roupa que ela vestia, estavam no topo da minha lista. Obviamente, e apesar de adorar costurar, não tem sido um percurso fácil, mas com muita motivação (e perseverança) o guarda-roupa dela é, actualmente, maioritariamente composto por peças costuradas por mim.

Por ser um objectivo bastante comum a quem costura para crianças, partilho convosco algumas dicas que também vos podem ser úteis. Apesar de me basear essencialmente no guarda-roupa da minha filha, a informação aqui partilhada também se aplica a rapazes, que obviamente não podem ficar esquecidos (eu tenho 2 e adoro!).

Antes porém, alerto para o facto destas dicas serem fruto da minha experiência especial e reflectirem, como é natural, as minhas preferências sobre a forma como gosto de vestir a minha filha (7 anos). Obviamente que pessoas diferentes têm gostos e opiniões diferentes, e a diversidade é sempre salutar. Se tiverem algumas sugestões, convido-vos a partilhá-las também neste espaço.

  • Avaliar o que é necessário

Este passo é bem conhecido por todas nós: no início de cada estação, escrutinamos as peças que os nossos filhos têm nos armários, verificamos o que serve/não serve, separamos o que já não está em condições de ser usado (por exemplo, peças estragadas e sem arranjo), o que ainda pode ser aproveitado (baixar bainhas, transformar calças em calções e vestidos em túnicas) e o que será doado para outra criança. Quando existe mais do que um irmão, é habitual as peças dos mais velhos, que ainda se encontram em bom estado, serem guardadas para os mais novos (ou para os primos/as). Cá em casa, fazemos o mesmo.

ASM_Planear#1

É importante conhecer o “estilo” (na falta de palavra melhor) da criança. À medida que eles crescem e, apesar de nem sempre concordarmos, as suas opiniões e gostos pessoais também condicionam as escolhas dos seus guarda-roupas.

Para além do que já foi mencionado acima, existem outros factores a ter em conta quando avaliamos o guarda-roupa das nossas crianças:

  1. Faixa etária da criança e respectivas necessidades – apesar de serem amorosos nem sempre os vestidos/saias são as peças mais práticas para bebés que gatinham e que precisam de liberdade de movimentos. Se não resistirem (como eu!), usem-nos em ocasiões especiais. De igual modo, as peças difíceis de vestir/despir, como jardineiras, podem ser complicadas quando a criança está na fase do desfralde. Claro que depende do gosto pessoal e da autonomia das crianças. Eu adoro jardineiras e os meus filhos sempre usaram mas sei que complicava a logística no infantário (fica o pedido de desculpa às educadoras e auxiliares)…
  2. Actividades da criança – uma criança em idade pré-escolar tem necessidades diferentes (a nível de vestuário) de uma criança mais velha. Se estiver envolvida em actividades desportivas ou artísticas, convém verificar se o vestuário se adequa às mesmas. Roupa confortável e que permita a criança ser autónoma (fechos, molas ou velcro em locais acessíveis) é sempre importante, mas não nos podemos esquecer de aspectos mais práticos, como ser fácil de lavar/engomar.
  3. Região em que vive – pode parecer óbvio, mas durante muitos anos enchi (literalmente) os guarda-roupas dos meus filhos com agasalhos demasiado quentes. Vivemos numa cidade onde o clima é quase sempre ameno (apesar do vento) e os locais onde eles passam os dias estão sempre aquecidos. Após alguns anos de tentativa e erro, acabei por simplificar: prefiro vesti-los “em camadas” (por exemplo, camisola interior+camisola de golas+túnica ou vestido+casaco de malha) com peças fáceis de despir em locais mais aquecidos e têm apenas 2 agasalhos para a estação mais fria. No verão, basta-lhes um casaco/blusão mais leve. A regra é mesmo não complicar.
  4. Eventuais alergias – prefiro sempre fibras naturais como o algodão, linho e a lã. Nos últimos anos, tem surgido uma maior oferta de tecidos em algodão biológico e outras fibras biológicas – uma maior diversidade de cores e preços, torna esta uma opção a ter em conta, especialmente para o vestuário de bebés e crianças com peles sensíveis. No COSE+ assumimos a nossa preocupação com a sustentabilidade e vamos actualizando a informação no +Sustentável.

Cada vez mais gosto de envolver a minha filha nesta etapa e é também uma forma de me assegurar que as roupas não acabam escondidas numa gaveta. Ela adora vestidos e apesar de não serem a peça mais adequada para levar para a escola e brincar no recreio, não resisto a fazê-los e sei que são sempre muito usados. Por outro lado, as calças são quase sempre olhadas de soslaio, e por isso é raro entrarem no seu guarda-roupa. Em alternativa, preferimos calções e saias (rodadas), que combinamos com túnicas, blusas e t-shirts.

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No caso de um menino, podemos seguir as mesmas etapas, mantendo o cuidado de envolver a criança no processo. Por experiência própria, posso atestar que os meninos também gostam de escolher a roupa que vestem e, em muitos casos, as suas opiniões surpreendem-nos.

Para quem procura inspiração, em Português, já existem imensos blogues e publicações de moda infantil com opções para os mais variados estilos, quer para rapazes como para raparigas. Os catálogos das marcas, nacionais e não só, são também excelentes fontes de inspiração, e não resisto a espreitar as novas colecções assim que estão disponíveis.

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O processo em si pode variar consoante as nossas práticas, mas o objectivo é o mesmo: saber o que precisamos de comprar (e/ou, neste caso, costurar). Nesta primeira fase, o objectivo é listar apenas o que será necessário, sem especificar modelos ou outros detalhes. Por exemplo; 2 saias/calções, 2 vestidos/calças, 3 camisolas de manga comprida, 2 tee-shirts , etc.

Para facilitar, distribuo as peças por categorias: Partes de cima (onde incluo também os vestidos), Partes de baixo, Roupa de desporto, Roupa de Dormir, Roupa interior (incluindo collants e meias), Agasalhos, Ocasiões especiais e Calçado. Se necessário, adicionam-se outras categorias, como por exemplo, Roupa para a escola, onde se inclui o uniforme escolar, o fato de ginástica e o bibe.

Espero que esta primeira publicação vos tenha sido útil.

Na próxima publicação, vamos abordar a etapa seguinte: Decidir o que costurar e o que comprar.

Partilhem também as vossas sugestões.

7 thoughts on “Planear um Guarda-Roupa de Criança – Parte 1

  1. Parabéns pelo post! Estes são também os critérios que sigo todas as estações para “organizar” os armários dos miúdos cá de casa. Cá em casa para as meninas os vestidos e as saias são os que imperam e para o rapaz os calções desde os mais práticos aos mais formais. Calças é coisa que não entra nos armários!!! Hoje em dia a mais velha já ajuda a escolher tecidos e modelos e começa agora a dar os primeiros passos na costura, já fez algumas saias e vestidos simples!!! Eu adoro, ela adoram, eles adoram, todos adoramos!!! Este verão gostava de experimentar fazer fatos de banho!!! (Fica aqui um pedido especial para um post☺️).
    Obrigada acompanho-voa todos os dias…. Sempre curiosa e desejosa de vos ler.

    • Muito obrigada Mariana 🙂
      Adorámos a sugestão dos fatos de banho para uma próxima publicação 😉
      Obrigada por nos acompanhar <3
      PS. É tão bom quando eles começam dar os primeiros passos na costura!

  2. Que giro! Tambem organizo as coisas assim!
    Nao estou em Portugal. E de facto no estrangeiro é um erro ter muitos casacos… Pois andamos sempre dentro de espaços bem aquecidos! Por aqui as calças também ficam de parte! A minha filha esta com 4 anos, ja nao faz birras para ir de saia rodada, mas sao as suas preferidas!
    Ja agora, qual o tecido ideal para as “saias rodarem muito”?! Ou depende mais do caimento do tecido e da forma como o cortamos (em viés)?
    Obrigada pela partilha, beijinhos e boas costuras

    • Olá Liliana!
      Obrigada pela partilha 🙂
      As saias rodadas também são as favoritas cá em casa.
      Pessoalmente, a minha preferência recai sobre as saias franzidas na cintura (mais fácil de ir ajustando o elástico ao crescimento da criança), mas as saias cortadas em viés (enviesada ou “em círculo”) também são óptimas para esse efeito, principalmente se adicionarmos volume extra. Claro que a escolha do tecido acaba por influenciar bastante o resultado final: “a roda da saia”.
      Tecidos leves e fluidos, como o algodão, a seda, o crepe, a viscose e a microfibra, por exemplo, resultam muito bem.
      A saia que aparece na 1ª foto da Parte 2 deste artigo foi feita com o molde Swingset Skirt da Oliver+S (saia franzida na cintura) que utiliza apenas 1 peça e tem a particularidade de incluir também forro. Usei tecidos leves de algodão (quer para a saia, quer para o forro) e a saia ficou com bastante roda.
      Espero ter ajudado! Boas costuras 🙂

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